DIFICULDADE DE APRENDIZADO PODE SER DISLEXIA, ALERTA ESPECIALISTA

A dislexia, um transtorno de aprendizagem na área da leitura, escrita e soletração, atinge de 0,5% a 17% da população mundial, conforme a Associação Brasileira de Dislexia. Em diferentes graus, os disléxicos não conseguem estabelecer a memória fonêmica, que é a associação de fonemas às letras. Estudos apontam que a dislexia é o distúrbio de maior incidência nas salas de aula.

Para dar mais detalhes sobre o assunto, a redação do Blog do Educentro entrevistou Augusto Buchweitz, Doutor em Letras e Pesquisador do Instituto do Cérebro da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).

Blog Educentro: O que é dislexia e como pais podem identificar sinais desse transtorno?

Augusto Buchweitz: A dislexia é quando a dificuldade de aprender a ler é desproporcional e inesperada em uma criança. Em outras palavras, quando não há déficits cognitivos, condições psiquiátricas ou outros fatores genéticos ou ambientais que possam explicar a dificuldade de aprender a ler. Caracteriza-se, assim, como transtorno de aprendizagem da leitura.

BE: Qual é a melhor forma dos pais e professores lidarem com crianças disléxicas?

Buchweitz: Primeiramente, estabelecer um diagnóstico claro e seguro com um profissional qualificado; estabelecido o diagnóstico, procurar desenvolver metas possíveis e um acompanhamento profissional que se estenda da escola para casa. Os pais devem entender que a criança é inteligente, é capaz, pode estudar e pode se desenvolver. O que a criança vai precisar, e isso a escola precisa entender e adotar, é mais tempo para ler, provas orais e outras estratégias para superar o problema da dificuldade de leitura.

BE: Como funciona o tratamento?

Buchweitz: A dislexia não é uma doença, portanto, não tem tratamento. Estabelece-se, sim, um acompanhamento profissional que busque desenvolver estratégias de leitura e decodificação e trabalhar a fluência e a decodificação.

BE: Existe cura para a dislexia?

Buchweitz: Não sendo doença, não se cura. Sendo um transtorno, se remedia e se pode buscar desenvolver melhor a leitura. Entretanto, deve-se entender que o disléxico sempre lerá com mais dificuldade e mais lentamente em relação a seus colegas. Mas é importante frisar que o disléxico pode sim cursar as etapas normais da escola e da vida profissional, buscando sempre estratégias para superar sua dificuldade de ler fluentemente.

BE: Adultos que não foram diagnosticados com o transtorno na idade escolar enfrentam quais dificuldades em seu dia a dia?

Buchweitz: Vivemos em uma cultura altamente letrada e dependente da escrita e da leitura, basta lembrar-se disso para imaginar a dificuldade destes adultos. Piora-se esta condição com a ausência do conhecimento da causa da dificuldade de aprender a ler. Muitos que, acometidos do transtorno, viveram com a dificuldade sem apoio, acabam por abandonar a escola e não completam a educação formal. A dislexia, nestes casos, passa de mal a pior; deixa de ser um transtorno de aprendizagem que, se identificado, apesar de estar no bojo da dificuldade de aprender a ler, passa a ser, na ausência de sua identificação, uma possível causa de abandono escolar e até analfabetismo. A avaliação e diagnóstico da dislexia no Brasil são ainda recentes e, pior, enfrentam resistências políticas ingênuas. No nosso projeto, quando identificamos uma criança disléxica, por muitas vezes identificamos um pai ou mãe que abandonou a escola e que possivelmente são disléxicos (a dislexia deixa uma herança genética importante, de forma a ter quase 50% de probabilidade de passar de uma geração para outra). Desta forma, as dificuldades dos adultos sem diagnóstico são imensas, desde psicológicas até profissionais.

Para saber mais:

O site da Associação Brasileira de Dislexia traz informações relevantes e confiáveis sobre o tema.

Compartilhe esse Post