Entrevista: Como pais e alunos podem se organizar para a volta às aulas

O fim das férias e o início das aulas pode ser um período familiar turbulento, com filhos inquietos e pais estressados para reorganizar o dia a dia, com a retomada dos compromissos escolares das crianças. Porém, com uma boa dose de planejamento, diálogo e disciplina é possível amenizar possíveis dificuldades e evitar problemas. É o que aconselha a psicopedagoga e diretora do Educentro, Daiane Keller. Confira a entrevista da profissional, que também é Mestre em Educação.

Qual a forma mais adequada de reorganizar a rotina das crianças para a volta às aulas?

Daiane Keller: Uma das estratégias é fazer com que a criança participe de toda a aquisição e/ou reaproveitamento do material escolar. Através desses momentos, os pais já devem ir conversando sobre o novo ano letivo, sinalizando que as férias acabaram, que foram divertidas, que tiveram momentos de descanso e lazer, mas que agora uma nova etapa se inicia. Para isso, nada melhor que uma boa conversap para estabelecer novos hábitos. No entanto, é fundamental que os pais sejam perseverantes e cumpram tais combinados como, por exemplo: hora de dormir, de brincar, de fazer o dever da escola... Uma sugestão para atingir esse objetivo é organizar um local da casa para os estudos da criança. Proporcione esse espaço para ela, com uma boa iluminação, materiais como lápis, borracha, caneta, régua, livros, revistas e dicionários. Embora saibamos que é um desafio esse período pós-férias, outra tática aconselhada é começar a estipular novas rotinas uma semana antes do início das aulas, fazendo com que a criança durma mais cedo, acorde mais cedo, tenha contato com seu material escolar do ano anterior. Para isso, a presença e participação dos pais são fundamentais.

Muitos pais têm dificuldade de impor um horário para os filhos dormirem. É importante que as crianças tenham esse tipo de limite? Qual a importância de uma boa noite de sono para o desenvolvimento infantil e aprendizagem?

Daiane: Uma noite mal dormida não favorece um bom desempenho cognitivo. Assim como o sono é importante para um processo de aprendizagem saudável, a alimentação adequada e exercícios físicos também contribuem nesse processo. A tarefa não é fácil, mas é importante que todos na casa contribuam nesse novo costume pós-férias. É preciso estar atento ao primeiro trimestre, que contempla essa adaptação. Inicialmente, as matérias são retomadas e logo conteúdos novos são apresentados. Se a criança apresenta dificuldades, esse fato pode prejudicar seu desempenho social e cognitivo no restante do ano escolar.

Como evitar a ansiedade das crianças em relação ao ano letivo? Como os pais podem amenizar essa sensação perante a volta às aulas e como observar se é uma reação natural ou um quadro mais extremo?

Daiane: A ansiedade é natural e vai acontecer. Afinal, muitas experiências novas surgirão, professores novos, às vezes colegas novos, às vezes uma escola nova... Então, conversar com seus filhos sobre essa ansiedade é importante e os pais podem inclusive aproveitar para contar como foi quando eles eram crianças.Outro aspecto que transmitirá confiança para a família e, consequentemente, para a criança, é confiar/acreditar na escola escolhida para seu filho. A melhor receita é conversar sempre. Fazer com que a criança fale sobre seus sentimentos, suas ideias, seus medos, ajudará muito a lidar com a ansiedade, bem como sinalizar em que pé anda seu desempenho. Nesse bate-papo diário talvez seja interessante mudar as perguntas para obter respostas mais relevantes, tais como: - o que aconteceu de mais legal na escola hoje? - com qual colega você mais brincou hoje? - qual foi a coisa mais chata do seu dia? - quem é o mais bagunceiro da turma? Agora, se os pais percebem que a criança está muito ansiosa, não consegue falar sobre seus sentimentos, ou traz questões muito fortes, é momento de conversar com a professora para que possa observar e auxiliar seu comportamento em sala de aula e juntos, família e escola, tentarão conduzir essa ansiedade. Se, mesmo assim, essa criança não consegue estabelecer um bom desempenho, é sinal de alerta e de que deve procurar ajuda especializada.

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